quarta-feira, 5 de agosto de 2009

DEU DO BLOG DO JORNALISTA CLÁUDIO NUNES:

Som alto, dois pesos e duas medidas

Não se pode elogiar um Pelotão Ambiental que usa da lei apenas para alguns. Dois pesos e duas medidas não valem.

Este espaço por várias vezes já elogiou o trabalho que vem sendo realizado em parceria pela PM, através do Pelotão Ambiental, a Emsurb, o MP e a polícia civil no intuito de coibir os abusos do uso do som, principalmente em Aracaju. Em um dos artigos o espaço levantou a necessidade de combater o uso do som alto por policiais, que chegavam a intimidar os vizinhos. Depois de vários problemas e casos, chegando até a morte, parece que este tipo de incidente diminuiu.

Porém uma reclamação que é feita por vários moradores (alguns já desistiram porque não tiveram resultado), diz respeito ao som alto em igrejas e templos religiosos Isso não ocorre apenas em Sergipe, mas em todo país. Ontem mesmo saiu a seguinte nota no blog do conceituado jornalista sergipano, Ancelmo Gois: “Deus não é surdo - O TJ de Minas proibiu a Igreja Universal da cidade de Ponte Nova de fazer barulho acima de 70 decibéis durante o dia e de 60 decibéis à noite. A decisão foi tomada a pedido de um vizinho do templo, incomodado com o barulho”.

Em Aracaju, em quase todos os bairros, existem mais de um templo, sem falar das igrejas católicas. Justiça seja feita: no caso das igrejas poucas são as que perturbam a comunidade, até mesmo porque suas construções geralmente têm uma acústica diferente dos templos. Já vários templos, estão vizinhos, ou melhor, literalmente “colados” as residências. É um barulho, com todo respeito “infernal”, que deveria ter uma fiscalização do Pelotão Ambiental (como ocorre em vários estados), porque, com certeza, extrapola os decibéis exigidos pela legislação.

Mas não pense que a Igreja Católica não faz barulho não. Faz e de forma pior. Este espaço há pouco mais de um mês denunciou, através de moradores, o barulho também “infernal”, pela manhã, logo cedo, no Colégio do Salvador, durante um final de semana, onde cedeu o espaço para um evento católico. Os moradores não agüentaram, mas mesmo chamada a fiscalização silenciou.

Como a omissão prevaleceu e nada foi feito, no último final de semana o fato ocorreu de novo. O depoimento de um morador: “Há umas semanas atrás publicastes uma nota sobre o barulho no Colégio do Salvador. Incrivelmente, algumas pessoas ainda defenderam o Colégio (que, na verdade, cedeu ou alugou seu ginásio para a realização de um evento da Renovação Carismática). Pois bem, o mesmo grupo realizou o mesmo tipo evento, com som altíssimo a partir das sete horas da manhã de sábado e de domingo. Será que mais alguém vai defender este pessoal que não respeita de modo algum a vizinhança? Barulho alto por todo o final de semana...em que mundo vivemos? E ainda somos obrigados a ouvir dentro de nossas casas que "Jesus vai curar os casos de homossexualismo na sua família" e coisas do tipo. Lamentável!”

Ficam no ar várias perguntas. Qual o motivo para o Pelotão Ambiental e os outros órgãos responsáveis se omitirem quando o som alto é no Colégio do Salvador? Será medo ou receio porque o colégio tem “influência”? É correto prender um som de carro de um pobre da periferia, mas ser omisso quando o som alto é num estabelecimento como o Colégio do Salvador? Essa omissão não é crime? Será que o governador concorda com essa omissão do Pelotão Ambiental?

Esse espaço que sempre defendeu e elogiou as ações do Pelotão Ambiental a partir de agora terá o papel critico. Não se pode elogiar um Pelotão Ambiental que usa da lei apenas para alguns. Dois pesos e duas medidas não valem. E quando parte de autoridades que recebem dinheiro público é deprimente...

Fonte: Blog do Jornalista Cláudio Nunes

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