sexta-feira, 1 de outubro de 2010

SEED ATRASA ENTREGA DA ESCOLA JOSÉ POETA SAMPAIO.

Divisórias improvisadas prejudicam o aprendizado

Um enorme buraco abre espaço em plena sala de aula para animais e perigos para os jovens

Nos dias de chuva, água e lama entram nas salas de aula improvisadas da Escola Estadual Poeta José Sampaio, localizada no Conjunto Parque dos Faróis, no município de Nossa Senhora de Socorro. A sede da escola está em reforma desde o início do ano, e o último prazo dado pela Secretaria de Estado de Educação para a entrega da obra foi o dia 30 de setembro, última quinta-feira.

Como mais uma vez o prazo de entrega da escola não foi cumprido, os alunos deverão iniciar o segundo semestre letivo num espaço completamente inadequado para o ensino: um salão de festas adaptado para abrigar os 1.050 alunos da Escola Poeta José Sampaio. O improviso funciona desde o dia 24 de maio, mas está longe de atender à estrutura minimamente necessária para a educação.

As salas improvisadas com paredes de maderito, além de não permitirem um isolamento acústico, estão rachadas, o que inviabiliza as aulas nos períodos chuvosos. E nos dias de sol intenso também é difícil suportar o calor nas salas de aula abafadas e sem ventilador.

O sanitário feminino não tem porta e o isolamento acústico entre as salas é praticamente nulo. O professor e os alunos de uma sala escutam tudo o que as duas turmas dos dois lados estão falando. O resultado é um barulho insuportável e muito desgaste tanto por parte dos professores – que mesmo nessas condições têm a tarefa de ensinar –, quanto por parte dos alunos que querem aprender. A gravidade dos problemas na estrutura física da escola fez com que a Justiça Eleitoral não aceitasse o espaço para a realização das eleições.

Os problemas visíveis e estruturais acabam por influenciar em questões de pouca visibilidade, como o desânimo e a baixa auto-estima dos estudantes, pois a dificuldade de lidar com a indisciplina dos alunos aumenta em estabelecimentos de ensino sem a infraestrutura mínima para o aprendizado. A secretária do colégio, Izabel Souza, conta que os professores fizeram uma campanha para estimular que os alunos da escola se matriculassem no vestibular, pois muitos não têm ânimo nem para concorrer a uma vaga na universidade.

Enquanto se espera a conclusão das reformas, o número de estudantes matriculados no colégio tem diminuído drasticamente. Segundo a secretária Izabel Souza, mais de 200 evadiram do colégio durante o ano de 2010. “Esses problemas estruturais interferem na aprendizagem. Os meninos não param, a falta de estrutura colabora com a indisciplina. O problema do som é evidente, fora o calor que desgasta e desanima alunos e professores”, enumera a secretária.

Fonte:  Sintese

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